Carta a Mariana – Dos Desejos que se Pedem no Começo do Ano



Minha querida Mariana,

Chega um novo ano e, com ele, aquela estranha sensação de que tudo pode recomeçar. Dizem que é tempo de pedir desejos. Eu, que já vi tantos janeiros passarem pelas planícies, resolvi hoje escrever-te não para pedir pouco, mas para pedir o que verdadeiramente importa.

Desejo, Mariana, que este novo ano traga desenvolvimento real à nossa região, não o das promessas repetidas, mas o das obras feitas e das decisões corajosas. Que o comboio, tantas vezes anunciado, chegue finalmente a Beja — não como metáfora, mas como carruagem cheia de futuro, ligando-nos ao país e à Europa sem desculpas nem atrasos.

Desejo que o Aeroporto de Beja deixe de ser apenas um símbolo adiado e se transforme num verdadeiro motor de oportunidades, criando emprego, fixando pessoas, abrindo portas ao mundo. Que as acessibilidades deixem de nos isolar, que a autoestrada chegue a Beja e que o asfalto não se perca pelo caminho, seguindo até à fronteira de Ficalho, como via natural de ligação e desenvolvimento.

Peço-te também, Mariana, que a rede 5G chegue a todos os cantos do Baixo Alentejo, das cidades às aldeias mais pequenas, para que viver no interior não seja sinónimo de ficar para trás. Que a inovação não escolha apenas os lugares onde já tudo existe.

Mas não te peço só obras e infraestruturas. Peço-te algo talvez mais difícil.

Que haja mais compaixão pelo próximo, mais escuta, mais humanidade. Que aprendamos a discordar sem ódio, a conviver com a diferença sem medo, a praticar a tolerância como valor quotidiano e não apenas como palavra bonita em discursos.

Desejo, acima de tudo, que o povo goste mais da sua terra. Que a defenda com orgulho, que a critique quando for preciso, mas que nunca desista dela. Que Beja e o Baixo Alentejo deixem de pedir licença para existir e passem a exigir o lugar que lhes é devido.

Acrescento ainda um último desejo, Mariana:

que este ano nos traga lideranças com coragem, cidadãos participativos, jovens que queiram ficar, regressar ou investir, e uma memória coletiva que nos lembre que o futuro não se herda — constrói-se.

Se os desejos se realizam, não sei.

Mas sei que pedir é o primeiro passo para não aceitar o pouco.

Com esperança te escrevo, no limiar de mais um ano,

O Cavaleiro das Planícies

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