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💌 Carta XII – Quando o Futuro chega às Planícies

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te de uma Beja que acordou diferente — mais desperta, mais inquieta, mais viva. Há dias em que o futuro parece uma promessa distante, mas há outros em que ele se instala entre nós, em forma de arte, música e movimento. É o caso do Festival Futurama , que regressa para mais uma edição e volta a percorrer as nossas planícies, levando cultura e criação aos concelhos de Beja, Mértola e Alvito . Durante dias, as ruas, as escolas e os teatros enchem-se de artistas e curiosos. São vozes novas e olhares antigos que se cruzam: Fidel Évora , Francisco Trêpa , Tiago Alexandre , David Infante e Sónia Baptista , entre outros, partilham ideias e experiências com alunos, seniores e cidadãos que descobrem, talvez pela primeira vez, que a arte também se faz de proximidade e pertença. Hoje, em Beja, o dia começou com “Brilha – Impressões e Escultura sobre a nossa Impressão Digital” , de Fidel Évora, com os jovens da Escola Secundária Diogo de Gouveia . À tarde, no...

💌 Carta IX – O Homem que amou Beja e que Beja amará eternamente!

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Minha querida Mariana, Escrevo-te hoje com o coração cheio de emoção e saudade. No passado sábado, 25 de outubro, Beja viveu um daqueles dias que se guardam na alma. Foi o dia em que o nosso Hospital José Joaquim Fernandes celebrou 55 anos de vida. Mas foi, acima de tudo, o dia em que celebrámos a memória de um homem que fez de Beja o seu mapa e o seu destino: Florival Baiôa Monteiro . Na Santa Casa da Misericórdia de Beja , apresentou-se o livro que conta as cinco primeiras décadas desta instituição — e, com ele, uma vida inteira de dedicação à cidade. Entre amigos, família e artistas, ouviu-se o cante, viu-se a pintura e sentiu-se a presença de quem, mesmo ausente, continua a iluminar cada esquina do centro histórico. Houve lágrimas de saudade e sorrisos cúmplices — foi uma festa, como ele gostaria que tivesse sido. Florival partiu a 13 de fevereiro de 2024 , aos 73 anos, vencido por uma doença que não lhe roubou o brilho, nem o amor por Beja. Recebeu em vida a Medalha de Mérito ...

💌 Carta VII – O Silêncio das Palavras

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com um peso no peito, desses que não vêm do corpo, mas das palavras que se perdem. Dizem que o Plano Nacional de Leitura , aquele que durante quase vinte anos ajudou tantas crianças e jovens a descobrir o prazer dos livros, está a desaparecer — silenciosamente, como quem apaga uma luz sem perceber o escuro que vem a seguir. Recordo-me, Mariana, de quando as carrinhas da Gulbenkian chegavam às aldeias. Eram veículos mágicos que traziam mundos inteiros dentro de si. Nasciam sorrisos, abriam-se janelas, e muitos de nós aprendíamos que havia vida para lá do horizonte. Aquelas carrinhas foram a escola dos sonhos para quem não tinha biblioteca, nem internet, nem tempo para mais do que o trabalho e o campo. E agora, tantos anos depois, sinto que o país volta a estacionar — desta vez, sem carrinhas, sem livros, e, pior ainda, sem vontade. O Plano Nacional de Leitura foi criado em 2006 para resolver uma ferida antiga: os baixos níveis de literacia, a ...