Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Governação

Carta XVI – BEJA - A Estação Onde o Comboio Nunca Chega

Imagem
Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o som do vento nas planícies e o silêncio de uma estação vazia. Há silêncios que dizem mais do que gritos — e o de Beja, à espera de um comboio que nunca chega, é um desses. Voltou a falar-se da Linha Casa Branca–Beja, essa promessa cansada que os governos sucessivos acenam ao Baixo Alentejo como quem mostra uma miragem a quem atravessa o deserto. Vem sempre aí, vem sempre “quase”, vem sempre “na próxima fase”. Mas na verdade, querida Mariana, o que não vem é o comboio . A Infraestruturas de Portugal alertou que a CCDR Alentejo resolveu cortar a dotação financeira para o projeto — de 80 milhões para uns envergonhados 20. E com isso, alterou-se o fôlego, o fuso e o futuro de uma obra que dizem ser estratégica. Estratégica para quem? Para nós, certamente não tem sido. E lá veio a inquietação dos municípios, as declarações preocupadas, os pedidos de esclarecimento. Fala-se agora em 2032. Oito anos . Oito anos de incertezas, de mapas, de prome...

💌 Carta XI – Quando a Planície Estranha os Caminhos Escolhidos

Imagem
Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o vento inquieto das planícies, desses ventos que não levantam poeira, mas levantam perguntas. Em Beja, fala-se de uma aliança improvável: a CDU e a direita sentadas à mesma mesa, assinando acordos que muitos, cá em baixo, não conseguem compreender. Dizem que é pela “estabilidade”. Dizem que é pela “governação”. Mas, Mariana, nem todas as pontes ligam margens compatíveis — e há caminhos que a própria terra pressente que não vão correr bem. Tu que conheceste as paixões proibidas e os amores improváveis, talvez sorrisses ao ver esta tentativa de união. Mas a política, ao contrário do coração, não se alimenta apenas de sentimentos; alimenta-se da coerência, da confiança e do respeito pelo voto. E é isso que aqui começa a fraquejar. Durante décadas, a direita afirmou que Beja viveu sob o ritmo lento da CDU — um tempo que deixou marcas: uma cidade parada, oportunidades escassas, um centro que pedia cuidado e não o teve. Muitos dos que votaram ...

💌 Carta VIII – O Tempo do Consenso

Imagem
Minha querida Mariana, Escrevo-te de Beja, onde o tempo político voltou a agitar-se — não com tempestades, mas com ventos que pedem equilíbrio e bom senso. Depois das eleições, as forças partidárias sentaram-se à mesa, tentando encontrar caminhos para a governação da cidade. E, como sempre, as conversas misturam esperança e desconfiança, vontade e orgulho, passado e futuro. No sábado, reuniu-se a coligação “Beja Consegue” (PSD/CDS/IL) com o Partido Socialista , procurando um entendimento possível. Falou-se em diálogo, falou-se em partilhar responsabilidades, falou-se até na hipótese de o PS assumir o pelouro da Educação. Mas a concelhia socialista recusou, lembrando que há quatro anos, quando o cenário era inverso, a mesma coligação não quis partilhar caminho. E assim, as pontes que poderiam unir, voltam a erguer-se em muros. Mariana, é nestes momentos que a maturidade democrática se põe à prova. As eleições são a voz do povo — e o povo escolheu. Escolheu uma nova liderança para a cap...