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Carta a Mariana – Dos Desejos que se Pedem no Começo do Ano

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Minha querida Mariana, Chega um novo ano e, com ele, aquela estranha sensação de que tudo pode recomeçar. Dizem que é tempo de pedir desejos. Eu, que já vi tantos janeiros passarem pelas planícies, resolvi hoje escrever-te não para pedir pouco, mas para pedir o que verdadeiramente importa. Desejo, Mariana, que este novo ano traga desenvolvimento real à nossa região, não o das promessas repetidas, mas o das obras feitas e das decisões corajosas. Que o comboio, tantas vezes anunciado, chegue finalmente a Beja — não como metáfora, mas como carruagem cheia de futuro, ligando-nos ao país e à Europa sem desculpas nem atrasos. Desejo que o Aeroporto de Beja deixe de ser apenas um símbolo adiado e se transforme num verdadeiro motor de oportunidades, criando emprego, fixando pessoas, abrindo portas ao mundo. Que as acessibilidades deixem de nos isolar, que a autoestrada chegue a Beja e que o asfalto não se perca pelo caminho, seguindo até à fronteira de Ficalho, como via natural de ligação e de...

Carta XVI – BEJA - A Estação Onde o Comboio Nunca Chega

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o som do vento nas planícies e o silêncio de uma estação vazia. Há silêncios que dizem mais do que gritos — e o de Beja, à espera de um comboio que nunca chega, é um desses. Voltou a falar-se da Linha Casa Branca–Beja, essa promessa cansada que os governos sucessivos acenam ao Baixo Alentejo como quem mostra uma miragem a quem atravessa o deserto. Vem sempre aí, vem sempre “quase”, vem sempre “na próxima fase”. Mas na verdade, querida Mariana, o que não vem é o comboio . A Infraestruturas de Portugal alertou que a CCDR Alentejo resolveu cortar a dotação financeira para o projeto — de 80 milhões para uns envergonhados 20. E com isso, alterou-se o fôlego, o fuso e o futuro de uma obra que dizem ser estratégica. Estratégica para quem? Para nós, certamente não tem sido. E lá veio a inquietação dos municípios, as declarações preocupadas, os pedidos de esclarecimento. Fala-se agora em 2032. Oito anos . Oito anos de incertezas, de mapas, de prome...

Carta XV – Quando o silêncio pesa mais do que a ausência dos jornais

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com um aperto diferente, talvez por saber que uma notícia, quando deixa de chegar, é mais do que papel que falta — é um pedaço do país que se apaga. Soube-se que a Vasp , única distribuidora nacional de imprensa, atravessa uma tormenta financeira daquelas que não se disfarçam. Dizem que as vendas caíram, que os custos subiram, que o interior é dispendioso, que manter rotas já não compensa. E entre os oito distritos que podem perder a distribuição diária de jornais… lá está Beja, tão esquecida como sempre. Mariana, imagina as nossas manhãs sem o ritual humilde do papel dobrado, sem a banca que abre cedo, sem o gesto simples de escolher um jornal como quem escolhe companhia. Nos territórios onde já faltam médicos, transportes, investimento e serviços, faltar informação seria mais uma forma de apagar o que resta de cidadania. A própria Associação Portuguesa de Imprensa alertou para a gravidade desta ameaça: “limitar o acesso à informação é ferir ...

Carta XIV – O Despertar Amargo das Planícies

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Minha querida Mariana, Hoje Beja acordou mais cedo do que o Sol. A cidade abriu os olhos com um sobressalto — daqueles que não vêm do vento nem do canto longínquo das cegonhas, mas do rumor pesado das notícias que atravessam portas, cafés e consciências. Acordámos com a presença das autoridades, com sirenes contidas, com os passos firmes de quem vem cumprir justiça. Acordámos perante a revelação de que uma rede criminosa se servia da fragilidade alheia, explorando trabalhadores estrangeiros, muitos deles trazidos à força para uma vida que não escolheram. Acordámos, Mariana, com a dor de saber que esta mácula tocava até aqueles que juraram proteger. Foram detidos 10 militares da GNR, um agente da PSP e seis civis, todos suspeitos de colaborarem com um esquema que se alimentava da pobreza e do medo. Segundo a PJ, tratava-se de uma organização de estilo quase mafioso, que controlava centenas de trabalhadores indostânicos, muitos deles explorados, coagidos, ameaçados. E um dos epicentros d...

💌 Carta XIII – Quando a Cidade se Pensa a Si Mesma

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Minha querida Mariana, Hoje Beja desperta com outro silêncio — não o silêncio do abandono, nem o silêncio das madrugadas sobre as planícies. É o silêncio bom, aquele que antecede a reflexão, o encontro e a partilha. É que, durante dois dias, a nossa cidade vai parar para pensar a educação. Chamam-lhe Jornadas da Educação 2025 – Beja Educa: Incluir, Associar e Aprender . Mas, no fundo, Mariana, o que se vai viver no Pavilhão dos Sabores é algo maior: é a cidade a olhar-se ao espelho, é a comunidade a perguntar “que escola queremos?”, é a própria terra a tentar compreender como pode educar melhor os seus filhos. Organizadas pela Câmara Municipal, estas jornadas juntam professores e educadores, especialistas e famílias, técnicos, estudantes e todos os que acreditam que a educação é o primeiro alicerce de uma cidade justa. Durante dois dias — 19 e 20 de novembro — Beja será palco de plenários, painéis, debates e práticas partilhadas. Serão ouvidas vozes de quem constrói a escola por de...

💌 Carta XII – Quando o Futuro chega às Planícies

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te de uma Beja que acordou diferente — mais desperta, mais inquieta, mais viva. Há dias em que o futuro parece uma promessa distante, mas há outros em que ele se instala entre nós, em forma de arte, música e movimento. É o caso do Festival Futurama , que regressa para mais uma edição e volta a percorrer as nossas planícies, levando cultura e criação aos concelhos de Beja, Mértola e Alvito . Durante dias, as ruas, as escolas e os teatros enchem-se de artistas e curiosos. São vozes novas e olhares antigos que se cruzam: Fidel Évora , Francisco Trêpa , Tiago Alexandre , David Infante e Sónia Baptista , entre outros, partilham ideias e experiências com alunos, seniores e cidadãos que descobrem, talvez pela primeira vez, que a arte também se faz de proximidade e pertença. Hoje, em Beja, o dia começou com “Brilha – Impressões e Escultura sobre a nossa Impressão Digital” , de Fidel Évora, com os jovens da Escola Secundária Diogo de Gouveia . À tarde, no...

💌 Carta XI – Quando a Planície Estranha os Caminhos Escolhidos

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o vento inquieto das planícies, desses ventos que não levantam poeira, mas levantam perguntas. Em Beja, fala-se de uma aliança improvável: a CDU e a direita sentadas à mesma mesa, assinando acordos que muitos, cá em baixo, não conseguem compreender. Dizem que é pela “estabilidade”. Dizem que é pela “governação”. Mas, Mariana, nem todas as pontes ligam margens compatíveis — e há caminhos que a própria terra pressente que não vão correr bem. Tu que conheceste as paixões proibidas e os amores improváveis, talvez sorrisses ao ver esta tentativa de união. Mas a política, ao contrário do coração, não se alimenta apenas de sentimentos; alimenta-se da coerência, da confiança e do respeito pelo voto. E é isso que aqui começa a fraquejar. Durante décadas, a direita afirmou que Beja viveu sob o ritmo lento da CDU — um tempo que deixou marcas: uma cidade parada, oportunidades escassas, um centro que pedia cuidado e não o teve. Muitos dos que votaram ...

✉️ Carta X – Começa uma nova história, com todos, em Beja

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te de Beja, onde um novo capítulo se abre nas páginas da nossa cidade. No discurso de posse de Nuno Palma Ferro, foi dito palavras fortes: “começa uma nova história, com todos, em Beja.”  E essas palavras soam-me como uma promessa que ainda temos de construir — juntos. Agradeço hoje aos que ontem terminaram as suas funções, aos que serviram Beja com empenho, dedicação e amor. Sem eles, esta transição não teria o chão firme sobre o qual caminhar. Mas, Mariana, há algo mais importante do que a gratidão: há o compromisso. Foi pedido ao Governo central um pacto por Beja — cooperação, apoios e políticas que façam do potencial da cidade realidade.  Não queremos promessas vazias nem retórica ocasional. Queremos ação, clareza, responsabilidade. Beja merece mais — merece funcionar como terra que serve todos, e não apenas alguns. Neste novo executivo, dirigido por Nuno Palma Ferro, cabe-nos a todos participar, contribuir, exigir e apoiar. Porque gover...

💌 Carta IX – O Homem que amou Beja e que Beja amará eternamente!

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Minha querida Mariana, Escrevo-te hoje com o coração cheio de emoção e saudade. No passado sábado, 25 de outubro, Beja viveu um daqueles dias que se guardam na alma. Foi o dia em que o nosso Hospital José Joaquim Fernandes celebrou 55 anos de vida. Mas foi, acima de tudo, o dia em que celebrámos a memória de um homem que fez de Beja o seu mapa e o seu destino: Florival Baiôa Monteiro . Na Santa Casa da Misericórdia de Beja , apresentou-se o livro que conta as cinco primeiras décadas desta instituição — e, com ele, uma vida inteira de dedicação à cidade. Entre amigos, família e artistas, ouviu-se o cante, viu-se a pintura e sentiu-se a presença de quem, mesmo ausente, continua a iluminar cada esquina do centro histórico. Houve lágrimas de saudade e sorrisos cúmplices — foi uma festa, como ele gostaria que tivesse sido. Florival partiu a 13 de fevereiro de 2024 , aos 73 anos, vencido por uma doença que não lhe roubou o brilho, nem o amor por Beja. Recebeu em vida a Medalha de Mérito ...

Se pudesses escrever hoje uma carta a Mariana, o que lhe dirias sobre Beja?

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Oito cartas depois, o silêncio de Mariana ainda me escuta. Foram palavras escritas ao vento das planícies, sobre Beja, o Alentejo e o tempo que passa. Agora, é a tua vez de falar: Se pudesses escrever hoje uma carta a Mariana, o que lhe dirias sobre Beja? Deixa nos comentários. O Cavaleiro das Planícies