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Carta XV – Quando o silêncio pesa mais do que a ausência dos jornais

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com um aperto diferente, talvez por saber que uma notícia, quando deixa de chegar, é mais do que papel que falta — é um pedaço do país que se apaga. Soube-se que a Vasp , única distribuidora nacional de imprensa, atravessa uma tormenta financeira daquelas que não se disfarçam. Dizem que as vendas caíram, que os custos subiram, que o interior é dispendioso, que manter rotas já não compensa. E entre os oito distritos que podem perder a distribuição diária de jornais… lá está Beja, tão esquecida como sempre. Mariana, imagina as nossas manhãs sem o ritual humilde do papel dobrado, sem a banca que abre cedo, sem o gesto simples de escolher um jornal como quem escolhe companhia. Nos territórios onde já faltam médicos, transportes, investimento e serviços, faltar informação seria mais uma forma de apagar o que resta de cidadania. A própria Associação Portuguesa de Imprensa alertou para a gravidade desta ameaça: “limitar o acesso à informação é ferir ...

💌 Carta XI – Quando a Planície Estranha os Caminhos Escolhidos

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o vento inquieto das planícies, desses ventos que não levantam poeira, mas levantam perguntas. Em Beja, fala-se de uma aliança improvável: a CDU e a direita sentadas à mesma mesa, assinando acordos que muitos, cá em baixo, não conseguem compreender. Dizem que é pela “estabilidade”. Dizem que é pela “governação”. Mas, Mariana, nem todas as pontes ligam margens compatíveis — e há caminhos que a própria terra pressente que não vão correr bem. Tu que conheceste as paixões proibidas e os amores improváveis, talvez sorrisses ao ver esta tentativa de união. Mas a política, ao contrário do coração, não se alimenta apenas de sentimentos; alimenta-se da coerência, da confiança e do respeito pelo voto. E é isso que aqui começa a fraquejar. Durante décadas, a direita afirmou que Beja viveu sob o ritmo lento da CDU — um tempo que deixou marcas: uma cidade parada, oportunidades escassas, um centro que pedia cuidado e não o teve. Muitos dos que votaram ...

Se pudesses escrever hoje uma carta a Mariana, o que lhe dirias sobre Beja?

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Oito cartas depois, o silêncio de Mariana ainda me escuta. Foram palavras escritas ao vento das planícies, sobre Beja, o Alentejo e o tempo que passa. Agora, é a tua vez de falar: Se pudesses escrever hoje uma carta a Mariana, o que lhe dirias sobre Beja? Deixa nos comentários. O Cavaleiro das Planícies

💌 Carta VIII – O Tempo do Consenso

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Minha querida Mariana, Escrevo-te de Beja, onde o tempo político voltou a agitar-se — não com tempestades, mas com ventos que pedem equilíbrio e bom senso. Depois das eleições, as forças partidárias sentaram-se à mesa, tentando encontrar caminhos para a governação da cidade. E, como sempre, as conversas misturam esperança e desconfiança, vontade e orgulho, passado e futuro. No sábado, reuniu-se a coligação “Beja Consegue” (PSD/CDS/IL) com o Partido Socialista , procurando um entendimento possível. Falou-se em diálogo, falou-se em partilhar responsabilidades, falou-se até na hipótese de o PS assumir o pelouro da Educação. Mas a concelhia socialista recusou, lembrando que há quatro anos, quando o cenário era inverso, a mesma coligação não quis partilhar caminho. E assim, as pontes que poderiam unir, voltam a erguer-se em muros. Mariana, é nestes momentos que a maturidade democrática se põe à prova. As eleições são a voz do povo — e o povo escolheu. Escolheu uma nova liderança para a cap...