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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

Carta XVI – BEJA - A Estação Onde o Comboio Nunca Chega

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o som do vento nas planícies e o silêncio de uma estação vazia. Há silêncios que dizem mais do que gritos — e o de Beja, à espera de um comboio que nunca chega, é um desses. Voltou a falar-se da Linha Casa Branca–Beja, essa promessa cansada que os governos sucessivos acenam ao Baixo Alentejo como quem mostra uma miragem a quem atravessa o deserto. Vem sempre aí, vem sempre “quase”, vem sempre “na próxima fase”. Mas na verdade, querida Mariana, o que não vem é o comboio . A Infraestruturas de Portugal alertou que a CCDR Alentejo resolveu cortar a dotação financeira para o projeto — de 80 milhões para uns envergonhados 20. E com isso, alterou-se o fôlego, o fuso e o futuro de uma obra que dizem ser estratégica. Estratégica para quem? Para nós, certamente não tem sido. E lá veio a inquietação dos municípios, as declarações preocupadas, os pedidos de esclarecimento. Fala-se agora em 2032. Oito anos . Oito anos de incertezas, de mapas, de prome...

Carta XV – Quando o silêncio pesa mais do que a ausência dos jornais

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Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com um aperto diferente, talvez por saber que uma notícia, quando deixa de chegar, é mais do que papel que falta — é um pedaço do país que se apaga. Soube-se que a Vasp , única distribuidora nacional de imprensa, atravessa uma tormenta financeira daquelas que não se disfarçam. Dizem que as vendas caíram, que os custos subiram, que o interior é dispendioso, que manter rotas já não compensa. E entre os oito distritos que podem perder a distribuição diária de jornais… lá está Beja, tão esquecida como sempre. Mariana, imagina as nossas manhãs sem o ritual humilde do papel dobrado, sem a banca que abre cedo, sem o gesto simples de escolher um jornal como quem escolhe companhia. Nos territórios onde já faltam médicos, transportes, investimento e serviços, faltar informação seria mais uma forma de apagar o que resta de cidadania. A própria Associação Portuguesa de Imprensa alertou para a gravidade desta ameaça: “limitar o acesso à informação é ferir ...