Carta XVI – BEJA - A Estação Onde o Comboio Nunca Chega
Minha querida Mariana, Hoje escrevo-te com o som do vento nas planícies e o silêncio de uma estação vazia. Há silêncios que dizem mais do que gritos — e o de Beja, à espera de um comboio que nunca chega, é um desses. Voltou a falar-se da Linha Casa Branca–Beja, essa promessa cansada que os governos sucessivos acenam ao Baixo Alentejo como quem mostra uma miragem a quem atravessa o deserto. Vem sempre aí, vem sempre “quase”, vem sempre “na próxima fase”. Mas na verdade, querida Mariana, o que não vem é o comboio . A Infraestruturas de Portugal alertou que a CCDR Alentejo resolveu cortar a dotação financeira para o projeto — de 80 milhões para uns envergonhados 20. E com isso, alterou-se o fôlego, o fuso e o futuro de uma obra que dizem ser estratégica. Estratégica para quem? Para nós, certamente não tem sido. E lá veio a inquietação dos municípios, as declarações preocupadas, os pedidos de esclarecimento. Fala-se agora em 2032. Oito anos . Oito anos de incertezas, de mapas, de prome...